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Pesquisa do ISER aponta complexidade no pensamento de mulheres evangélicas sobre fé, direitos e sociedade

Levantamento recente revela que a maioria das mulheres evangélicas entrevistadas enxerga compatibilidade entre a fé cristã e o feminismo, embora grande parte rejeite o rótulo político. O estudo detalha percepções sobre igualdade, política e valores morais.

Pesquisa do ISER aponta complexidade no pensamento de mulheres evangélicas sobre fé, direitos e sociedade

A diversidade de pensamentos e posturas no universo feminino protestante brasileiro ganhou destaque com a divulgação de um estudo conduzido pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER). Intitulada “Mulheres evangélicas, política e cotidiano”, a pesquisa buscou mapear a visão desse segmento populacional sobre temas cruciais da atualidade, como direitos, participação social, política e questões morais.

De acordo com os dados apresentados, 63% das mulheres ouvidas apontaram que é plenamente possível professar a fé cristã e, ao mesmo tempo, alinhar-se ao feminismo. No entanto, o levantamento demonstra uma nuança importante: 70% das participantes declararam não se autodenominarem feministas. Esse contraste sugere que grande parte do público pesquisado faz uma distinção entre pautas práticas — como a busca por equidade e o combate a abusos — e a identificação com o movimento político propriamente dito.

O cotidiano das entrevistadas também foi retratado sob lentes que expõem desafios estruturais. Para 64% delas, a realidade prática ainda impõe menos direitos às mulheres em comparação aos homens. A sobrecarga com as tarefas do lar foi mencionada por 42% das consultadas, enquanto a proteção legal contra a violência doméstica recebeu forte respaldo de 85% do grupo.

Os pesquisadores apontam que a visão dessas mulheres mescla princípios tradicionais com uma clara percepção das dificuldades sociais enfrentadas no dia a dia. No que tange à legislação sobre a interrupção da gravidez, 57% apoiam os casos já permitidos por lei no país. Contudo, o perfil majoritariamente conservador se reflete na preferência eleitoral: 71% disseram que preferem votar em candidatos que rejeitam a ampliação do aborto ou que defendem a manutenção das regras vigentes. Além disso, no tocante ao acolhimento eclesiástico, 67% concordam que mulheres que passaram por essa situação devem encontrar amparo e acompanhamento nas comunidades de fé.

No campo político e eleitoral, a pesquisa mapeou que pouco mais da metade das entrevistadas (51,1%) avalia que religião e política podem andar de mãos dadas, ao passo que 40% preferem uma distinção mais rígida entre ambas as esferas. A ausência de candidatos vinculados às suas igrejas nas disputas recentes foi pontuada por 64,4% das mulheres, evidenciando que a relevância dada à política não se traduz necessariamente na politização dos templos.

A marca do conservadorismo político permaneceu evidente nas urnas: 80% das eleitoras de Jair Bolsonaro em 2018 mantiveram o voto nele nos pleitos seguintes. A figura de Michelle Bolsonaro também registrou avaliações altamente favoráveis, sendo conectada a pilares como família, espiritualidade e maternidade.

Os realizadores do estudo ressaltam que os apontamentos ajudam a desconstruir a visão de que o segmento evangélico feminino constitui um bloco uniforme. As opiniões são moldadas tanto pela vivência religiosa quanto por vivências profissionais, familiares e econômicas. Embora o levantamento tenha caráter qualitativo e tenha ouvido pouco mais de 180 mulheres de diversas regiões brasileiras — não configurando um retrato estatístico absoluto de todas as evangélicas do país —, a iniciativa joga luz sobre as transformações em curso em uma das comunidades religiosas mais expressivas da nação.

Fonte de apuração: Folha Gospel - Música

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