Operação Make Up mira Unigrejas após relatórios apontarem movimentação de quase um milhão em espécie
Investigação autorizada pelo STF revela fluxo atípico de R$ 7,7 milhões na entidade religiosa e transações suspeitas ligadas a repasses de emendas federais.

BRASÍLIA (DF) — A União Nacional das Igrejas e Pastores (Unigrejas) passou a ser alvo de apurações conduzidas pela Polícia Federal após a deflagração da Operação Make Up. A autorização para as diligências partiu do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão expedida na última quinta-feira (10). A atuação do órgão policial busca esclarecer a natureza de transações financeiras atípicas ligadas à entidade.
De acordo com os relatórios elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e incorporados aos autos do processo, a instituição eclesiástica registrou uma movimentação global atípica da ordem de R$ 7,7 milhões no intervalo compreendido entre os anos de 2025 e 2026. O que mais chamou a atenção dos investigadores foi o montante de R$ 928 mil injetado na entidade por meio de transações estritamente em dinheiro vivo.
Os registros processuais apontam que a associação de pastores e líderes religiosos figura na lista de beneficiárias de repasses financeiros realizados pela empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é proprietária do Instituto Conhecer Brasil (ICB) e atuou como produtora do filme Dark Horse. As averiguações demonstram que a empresária destinou R$ 50 mil de maneira direta para a entidade religiosa, além de outros R$ 50 mil repassados através da organização não governamental que comanda, a qual possui histórico de recebimento de verbas oriundas de emendas parlamentares federais.
Diante dos dados obtidos, a corporação policial trabalha com a principal hipótese de que tenha ocorrido um esquema de triangulação de recursos. A linha investigativa sugere que as verbas originárias do Instituto Conhecer Brasil foram inicialmente direcionadas para empresas pertencentes ao grupo do empresário Heric Fabiano Dias. Em seguida, essas companhias teriam repassado a quantia de R$ 750 mil para a Go Up Entertainment Ltda., empresa da qual Karina Gama é sócia e que tem em seu quadro o deputado federal Mário Frias exercendo a função de produtor-executivo.
A revelação dos fatos investigados pela Operação Make Up repercutiu intensamente tanto nos círculos de lideranças evangélicas quanto nas dependências do Congresso Nacional. Os peritos e analistas financeiros destacam que a ocorrência de valores coincidentes e a prática de depósitos fracionados realizados a partir de diferentes estados brasileiros funcionam, segundo a tese policial, como indícios de artifícios voltados à ocultação e ao mascaramento da origem de verbas públicas direcionadas aos setores de cultura e assistência social.
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Fonte de apuração: Fuxico Gospel
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